Feromônio no suor do homem influi na saúde feminina Folha de São Paulo, 7 de janeiro de 1989, por José Reis

Já tratamos aqui de experimentos e observações que sugerem a possibilidade da existência de feromônios na espécie humana. Vamos agora apresentar novos dados a esse respeito, obtidos por pesquisadores do Monell Chemical Senses Center e da Faculdade de Medicina da Pensilvânia. Esses dados apareceram em dois relatórios e seus principais autores são Winnifred Cutler e George Preti.

Feromônios são substâncias produzidas por certos animais, como insetos e alguns mamíferos, capazes de influir no comportamento de outros indivíduos da mesma espécie. São meios sutis de comunicação.

Naquele artigo referimos, entre outras coisas, que mulheres que vivem ou trabalham juntas manifestam tendência para sincronizar seus ciclos menstruais. Foi esta, aliás, uma das primeiras indicações da existência de feromônios humanos em nossa espécie. Os dois pesquisadores citados confirmaram esse fenômeno e revelaram que os odores corporais, inclusive os axilares, afetam realmente os ciclos menstruais.

Foram mais longe aqueles pesquisadores e afirmaram que os odores masculinos são capazes de manter a saúde feminina, especialmente no que diz respeito ao sistema reprodutor. Eles descobriram que as mulheres que têm relações sexuais com homens pelo menos uma vez por semana, mostram maior probabilidade de ter ciclos menstruais normais, menor probabilidade de ter problemas de infertilidade e menopausa mais branda que as que se conservam celibatárias ou têm relações raras ou esporádicas.

Enfim, parece que o odor masculino, ou a presença do homem, é muito importante para a manutenção da saúde da mulher. Entende mesmo a médica Cutler que o uso de cosméticos à base de essência de odores masculinos poderá alterar, e muito, o bem-estar das mulheres. Já existem, aliás, pedidos de patentes para produtos desse gênero. O problema é que ainda não se isolaram ou identificaram os 200 e tantos componentes dos odores masculinos e femininos.

Em uma das muitas experiências realizadas, Cutler e colaboradores (Preti cuida da parte química) colheram secreções axilares de sete homens e mulheres para examinar os efeitos dos possíveis feromônios. Os voluntários usaram almofadas nas axilas por 18 a 27 horas semanais durante 3 meses. A “essência masculina” foi misturada com álcool e aplicada no lábio superior de seis mulheres com ciclos menstruais anômalos e sem relação com homem algum no momento. Os ciclos dessas mulheres ajustaram-se todos a 29,5 dias. O mesmo não aconteceu com o grupo de controle, ou seja, mulheres que tinham ciclos irregulares e sofreram aplicações, no lábio, de apenas álcool (sem “essência”).

Em experiência semelhante feita com essência feminina aplicada a dez mulheres notou-se impressionante sincronização de seus ciclos menstruais, o que não se observou no grupo de controle.

Os efeitos da aplicação da essência axilar, dizem os pesquisadores, são semelhantes aos das relações sexuais regulares, porém naturalmente mais fracos. Estudos anteriores de Cutler sobre o efeito das relações sexuais na saúde feminina haviam revelado que a presença do homem é necessária, porém não é necessária a presença do coito. A regularidade sexual minora os efeitos da menopausa e da infertilidade, regularizando os ciclos menstruais.

Entende hoje a médica Cutler, depois das novas experiências que confirmam as mais antigas, que a exposição a feromônio é a “essência do sexo”. Se assim é, que dizer e tantos cosméticos, loções e coisas semelhantes que se usam para embelezar a mulher e supostamente torná-la mais atraente? Não estarão elas impedindo, ou dificultando, a recepção dos feromônios sexuais masculinos? Estaremos criando, com essas coisas, um tipo artificial de atração sexual? Que nos dirá o futuro, quando estiverem no mercado os cremes e loções feitos com essência de axila masculina ou feminina?

Resta agora empreender estudos semelhantes sobre os efeitos dos feromônios, axilares e outros, femininos sobre a saúde sexual e geral do homem.